25.4.24

A REFORMA DA REFORMA

 

E assim nasce o Arminianismo.

A história de um teólogo que, muito depois de sua morte, influenciou a maioria dos cristãos.


        Jacobus Arminius foi um teólogo reformado dos Países Baixos no século XVI e XVII. Ele desafiou algumas das doutrinas calvinistas da Reforma, especialmente em relação à predestinação incondicional. Nascido por volta de 1560, estudou na Universidade de Leiden e posteriormente se tornou professor de teologia lá. Suas ideias provocaram um debate significativo entre os reformados, particularmente nos Países Baixos. Arminius argumentava contra a visão calvinista estrita da predestinação, defendendo que Deus escolhe salvar as pessoas com base em seu conhecimento prévio de sua resposta à graça, em vez de uma eleição divina completamente arbitrária. As ideias de Arminius deram origem ao arminianismo, que influenciou várias denominações protestantes, como os remonstrantes nos Países Baixos e os metodistas na Inglaterra e nos Estados Unidos. Após a morte de Arminius, seus seguidores apresentaram uma série de "remonstrâncias" detalhando suas diferenças com a teologia calvinista predominante. Isso desencadeou a Controvérsia Arminiana, resolvida com a aprovação da Remonstrância em 1610, embora tenha sido seguida pela Contra-Remonstrância calvinista em 1611.

    O arminianismo continua sendo uma corrente teológica importante, influenciando várias denominações cristãs em todo o mundo, inclusive no Brasil.
 
        Jacobus Arminius, cujo nome em holandês era Jacob Harmenszoon, nasceu por volta de 1560 em Oudewater, nos Países Baixos. Ele estudou na Universidade de Leiden, onde foi influenciado por teólogos como Theodore Beza, seguidor de João Calvino. Mais tarde, Arminius tornou-se pastor e professor de teologia em Amsterdã. Arminius começou a questionar algumas das doutrinas calvinistas, especialmente a doutrina da predestinação incondicional. Ele argumentava que Deus não predestinava algumas pessoas para a salvação e outras para a condenação de forma arbitrária, mas que a salvação dependia da fé e da resposta humana à graça preveniente divina. Suas ideias causaram controvérsia e levaram a uma divisão na Igreja Reformada dos Países Baixos. Seus seguidores, conhecidos como remonstrantes, apresentaram cinco pontos em que discordavam da teologia calvinista. Isso desencadeou a chamada Controvérsia Arminiana. os seguidores de Calvino, particularmente os teólogos reformados que aderiram à doutrina calvinista ortodoxa, se opuseram fortemente aos ensinamentos de Arminius e seus seguidores, conhecidos como Remonstrantes. Esta oposição teológica culminou no Sínodo de Dort em 1618-1619, onde os ensinamentos arminianos foram condenados como heréticos. Após o Sínodo de Dort, os Remonstrantes foram de fato perseguidos e muitos foram exilados da Holanda, onde a influência calvinista era dominante. Portanto, pode-se dizer que os seguidores de Calvino, em um sentido mais amplo, perseguiram vorazmente os seguidores de Arminius devido a divergências teológicas significativas.

         Após a morte de Arminius em 1609, seus seguidores formalizaram suas crenças na Remonstrância de 1610, que foi rejeitada pelos calvinistas. Isso levou a conflitos religiosos e políticos nos Países Baixos. Apesar das dificuldades enfrentadas durante sua vida, as ideias de Arminius continuaram a se espalhar.  O arminianismo influenciou movimentos religiosos em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde várias denominações cristãs adotaram suas doutrinas.

         Principais pontos do Arminianismo:
  • Livre-arbítrio: Uma das ideias centrais do Arminianismo é a crença no livre-arbítrio humano. Isso significa que os seres humanos têm a capacidade de tomar decisões morais e espirituais por si mesmos, sem que essas decisões sejam predestinadas por Deus.
  • Eleição Condicional: Ao contrário da doutrina calvinista da predestinação incondicional, que afirma que Deus escolheu algumas pessoas para a salvação independentemente de suas ações, o Arminianismo ensina que a eleição de Deus está condicionada à fé e à resposta humana. Isso significa que Deus escolhe salvar aqueles que creem nele e respondem ao evangelho com fé.
  • Expiação Universal: O Arminianismo sustenta que a expiação de Cristo foi universal, o que significa que a morte de Jesus na cruz foi suficiente para pagar pelos pecados de toda a humanidade. No entanto, essa expiação só é eficaz para aqueles que creem.
  • Graça Resistível: Enquanto o Calvinismo ensina a graça irresistível, que afirma que aqueles que são eleitos por Deus inevitavelmente serão salvos, o Arminianismo ensina que a graça de Deus pode ser resistida pela vontade humana. Isso significa que as pessoas podem rejeitar a oferta da salvação de Deus, mesmo que ele as esteja chamando para si.
  • Possibilidade de Apostasia: O Arminianismo reconhece a possibilidade de apostasia, ou seja, que os crentes podem escolher se afastar da fé e perder sua salvação. Isso está relacionado à crença no livre-arbítrio e na resistibilidade da graça.
  • Várias denominações cristãs seguem a teologia arminiana em graus variados. Aqui estão algumas das principais:
  • Metodismo: O metodismo, fundado por John Wesley, é uma das denominações mais proeminentes que adota a teologia arminiana. A ênfase na livre graça de Deus e a crença na possibilidade de apostasia são características distintivas do metodismo.
  • E ainda, Igreja Wesleyana, Batistas Gerais (ou Batistas Arminianos), Igreja Batista Livre, Pentecostais em geral, Igreja Evangélica Assembleia de Deus, e muitas outras pequenas denominações responsáveis pela maioria das conversões cristãs protestantes do mundo.


       A importância da teologia arminiana pode ser vista em vários aspectos:

  1. Ênfase na Liberdade Humana: Uma das características centrais da teologia arminiana é a ênfase na liberdade humana. Arminius argumentou que Deus concede aos seres humanos a capacidade de escolherem ou rejeitarem a salvação, em oposição à visão calvinista da predestinação incondicional.
  2. Amor e Justiça de Deus: Os arminianos frequentemente enfatizam a visão de um Deus que deseja a salvação de todos e que demonstra seu amor e justiça de maneira acessível a todos, não apenas a um grupo seleto.
  3. Evangelismo e Missões: A crença na capacidade do ser humano de responder ao evangelho incentiva os arminianos a se envolverem ativamente em evangelismo e missões. Se as pessoas têm o poder de escolher aceitar ou rejeitar a mensagem do evangelho, então é fundamental compartilhá-la com todos.
  4. Responsabilidade Humana: A teologia arminiana enfatiza a responsabilidade moral dos seres humanos em suas escolhas. Isso pode influenciar a ética e a forma como os crentes veem o mundo ao seu redor, promovendo uma consciência da importância das escolhas individuais.
  5. Compatibilidade com a Experiência Humana: Alguns argumentam que a teologia arminiana é mais compatível com a experiência humana cotidiana, já que reflete a sensação comum de que as pessoas têm escolhas e responsabilidades em suas vidas.
  6. Diversidade Teológica: A diversidade de perspectivas teológicas enriquece o diálogo e o debate dentro da comunidade cristã. A presença da teologia arminiana ao lado da calvinista oferece uma ampla gama de reflexões sobre doutrinas como predestinação, graça e livre-arbítrio.

    Embora a teologia arminiana tenha suas críticas e diferenças significativas com a teologia calvinista, sua importância reside na diversidade de interpretações dentro do cristianismo e na ênfase na liberdade humana e na responsabilidade moral.

        Há vários mitos e equívocos comuns sobre a teologia arminiana que circulam entre os cristãos. Vou destacar alguns dos mais frequentes:

  • Arminianos não creem na soberania de Deus: Este é um equívoco comum. Arminianos creem firmemente na soberania de Deus, mas eles interpretam essa soberania de forma diferente dos calvinistas. Eles veem a soberania de Deus como compatível com a liberdade humana e a capacidade de escolha.
  • Arminianos creem que os humanos podem salvar a si mesmos: Isso é falso. Os arminianos acreditam que a salvação é totalmente uma obra de Deus, mas que os seres humanos devem responder à graça de Deus e exercer fé para serem salvos. A salvação é iniciada e sustentada por Deus, mas requer uma resposta positiva da parte do indivíduo.
  • Arminianos negam a eleição: Embora a teologia arminiana rejeite a ideia de predestinação incondicional à salvação, isso não significa que neguem a eleição. Eles acreditam em uma eleição condicional baseada na fé e na resposta humana ao evangelho.
  • Arminianos não valorizam a graça de Deus: Os arminianos reconhecem a graça de Deus como fundamental para a salvação. Eles creem que a graça de Deus é necessária para capacitar os seres humanos a responderem positivamente ao evangelho e a serem transformados em seguidores de Cristo.
  • Arminianismo é uma teologia recente: Embora o termo "arminianismo" derive do nome de Jacobus Arminius, a maioria dos princípios teológicos associados a essa perspectiva remonta aos debates teológicos do século XVI. O arminianismo é uma das correntes históricas do pensamento cristão, não uma invenção moderna.
  • Arminianos são menos ortodoxos ou menos comprometidos com a Bíblia: Esta é uma falsa dicotomia. Arminianos e calvinistas compartilham um compromisso com a autoridade da Bíblia como Palavra de Deus e buscam interpretá-la da melhor maneira possível, apesar das diferenças de interpretação em certos pontos doutrinários.

       Esclarecer esses equívocos é importante para promover um diálogo construtivo e uma compreensão precisa das diversas perspectivas teológicas dentro do cristianismo.

      O Arminianismo não faz parte da escola reformada. Na verdade, o Arminianismo surge como uma reação à teologia reformada, especialmente em relação à doutrina da predestinação. Enquanto a teologia reformada, comumente associada a nomes como João Calvino e sua escola de pensamento, enfatiza a predestinação incondicional, na qual Deus escolheu soberanamente quem será salvo e quem será condenado, o Arminianismo, baseado nas ideias de Jacobus Arminius, argumenta que Deus concede aos seres humanos liberdade de escolha e que a salvação é condicionada à fé e à resposta humana ao evangelho. Portanto, enquanto ambas as perspectivas se enquadram dentro do amplo espectro do Cristianismo Protestante, elas diferem substancialmente em algumas das doutrinas-chave, como predestinação, livre-arbítrio e graça salvadora. O Arminianismo é geralmente considerado como uma escola de pensamento teológico distinta da teologia reformada.

    Jacobus Arminius, surgiu após o período inicial da Reforma Protestante, que geralmente é associado a figuras como Martinho Lutero, João Calvino e outros reformadores do século XVI. A Reforma Protestante teve início nas primeiras décadas do século XVI, enquanto Arminius viveu no final do século XVI e início do século XVII. Embora Arminius estivesse dentro do contexto pós-reformador, suas ideias teológicas foram influenciadas pelos debates teológicos e pelo clima religioso da época. Ele era um pastor e teólogo reformado holandês que começou a questionar algumas das doutrinas calvinistas, especialmente a predestinação incondicional. Então, para esclarecer, Arminius não é considerado um dos reformadores iniciais da Reforma Protestante, mas suas ideias surgiram dentro do contexto protestante e contribuíram para a diversidade teológica dentro do movimento protestante. O Arminianismo é frequentemente considerado uma corrente teológica que se desenvolveu após a era da Reforma Protestante, e não como parte do movimento inicial da Reforma liderada por Lutero, Calvino e outros.

    A teologia arminiana tem vários efeitos e influências significativas no pensamento teológico e na prática religiosa. coomo segue:

  • Ênfase na Liberdade Humana: A teologia arminiana destaca a liberdade da vontade humana em responder ao evangelho e aceitar a graça salvadora de Deus. Isso influencia a maneira como os arminianos veem a responsabilidade moral dos seres humanos em suas escolhas e a importância da participação ativa na fé.
  • Visão mais inclusiva da Graça de Deus: Os arminianos geralmente enfatizam uma visão mais inclusiva da graça de Deus, argumentando que ela está disponível para todos os seres humanos e não se limita a um grupo predestinado.
  • Implicações Práticas para o Evangelismo e Missões: A crença na capacidade humana de responder ao evangelho tem implicações práticas significativas para o evangelismo e as missões. Os arminianos tendem a enfatizar a importância de compartilhar ativamente o evangelho com todos, pois acreditam que a salvação está acessível a todos os que creem.
  • Ênfase na Persuasão e Convicção: A pregação e o ensino arminianos muitas vezes se concentram em persuadir e convencer as pessoas a aceitarem a mensagem do evangelho, em vez de enfatizar a ideia de que apenas os eleitos serão salvos independentemente de qualquer ação ou escolha humana.
  • Contribuição para o Diálogo Teológico: A teologia arminiana contribui para um diálogo teológico diversificado e enriquecedor dentro do Cristianismo, fornecendo uma perspectiva alternativa em questões como predestinação, livre-arbítrio e graça.
  • Ética e Responsabilidade Moral: A ênfase na liberdade humana e na responsabilidade moral pode influenciar as perspectivas éticas dos arminianos, levando-os a enfatizar a importância das escolhas morais e da participação ativa na busca da santidade e da justiça.
  • Esses são apenas alguns dos efeitos da teologia arminiana. Sua influência é vasta e pode ser vista em uma variedade de áreas dentro do pensamento religioso e prático.


    A teologia calvinista, com sua ênfase na predestinação, afeta o evangelismo e a conversão, e é um tópico debatido dentro do Cristianismo. Para os calvinistas, a evangelização é vista como um meio que Deus usa para alcançar os seus eleitos. Embora a predestinação esteja presente, eles ainda veem o evangelismo como uma parte importante do cumprimento do propósito de Deus. No entanto, alguns argumentam que a compreensão da predestinação pode levar alguns calvinistas a confiar mais na soberania de Deus do que em seus esforços evangelísticos pessoais. Muitos calvinistas enfatizam a pregação fiel da Palavra de Deus como o principal meio pelo qual Deus chama seus eleitos à fé. Eles acreditam que Deus soberanamente usa a proclamação do evangelho para chamar os seus escolhidos à salvação. Alguns argumentam que a crença na predestinação pode levar alguns calvinistas a se sentirem desencorajados em seus esforços evangelísticos, pensando que, se alguém já estiver predestinado à salvação, seus esforços podem parecer fúteis. No entanto, outros calvinistas argumentam que, mesmo que não saibamos quem são os eleitos, ainda somos chamados a proclamar o evangelho a todos. Para alguns, a doutrina calvinista da predestinação destaca a graça soberana de Deus de uma maneira que pode ser profundamente reconfortante e inspiradora. Por outro lado, para outros, essa mesma doutrina pode apresentar desafios na compreensão de como reconciliar a soberania de Deus com a responsabilidade humana.

    Em resumo, a teologia calvinista pode ter várias implicações para o evangelismo e a conversão, tanto positivas quanto desafiadoras. Alguns podem ver a ênfase na soberania de Deus como encorajadora para o evangelismo, enquanto outros podem encontrar dificuldades em reconciliar essa ênfase com a responsabilidade humana. Estes pontos desafiadoramente polemicos e reduconistas no calvinismo Faz com que o arminianismo dispare em evangelismo e conversões.

    É difícil afirmar com certeza qual das duas perspectivas teológicas, calvinista ou arminiana, mais se assemelha à prática dos apóstolos, pois ambos os sistemas teológicos têm elementos que podem ser encontrados nos ensinamentos e na prática dos apóstolos, mas também têm diferenças significativas.

    Alguns argumentariam que a teologia arminiana se alinha mais de perto com a prática dos apóstolos devido à sua ênfase na liberdade humana, na responsabilidade individual e na universalidade da oferta da salvação. Eles podem apontar para passagens nas Escrituras que enfatizam o chamado universal para a salvação e a responsabilidade do indivíduo em responder a esse chamado (por exemplo, João 3:16; Atos 17:30; 2 Pedro 3:9).

    Por outro lado, os calvinistas argumentariam que a teologia calvinista se baseia mais firmemente na soberania de Deus ponto este também afirmado e não negado pela teologia arminiana, que eles, calvinistas, veem como um tema central nas Escrituras e na pregação dos apóstolos em consonância também com o arminianismo, ponto comum e pacífico entre os protestantes não heréticos. Os calvinistas podem apontar para passagens que enfatizam a eleição soberana de Deus (por exemplo, Efésios 1:4-5; Romanos 8:28-30) e a soberania divina sobre todas as coisas (por exemplo, Romanos 9).

    É importante notar que muitos cristãos, independentemente de sua afiliação teológica específica, procuram seguir os princípios e ensinamentos dos apóstolos encontrados nas Escrituras Sagradas. Ambas as perspectivas teológicas, calvinista e arminiana, têm uma base nas Escrituras e são defendidas por cristãos comprometidos com a autoridade e a inspiração das Escrituras.

    No final, a resposta para qual dessas perspectivas se assemelha mais à prática dos apóstolos pode depender da interpretação individual das Escrituras e das ênfases teológicas de cada tradição.




24.4.24

Deus não está no inferno.












    Sim, dentro do Cristianismo, especialmente conforme ensinado por muitas denominações cristãs, o inferno é frequentemente concebido como um lugar de separação de Deus. A ideia é que o inferno é um estado ou lugar onde aqueles que se afastaram de Deus durante suas vidas terrenas enfrentam a consequência final dessa separação. Essa visão é baseada em interpretações de várias passagens bíblicas, onde o inferno é descrito como um lugar de tormento e separação de Deus. Por exemplo, em Mateus 25:41, Jesus diz: "Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Apartem-se de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos’". Portanto, de acordo com essa interpretação cristã predominante, não há presença de Deus no inferno, e aqueles que estão lá estão separados da presença divina para sempre. Fazendo uma analogia comparativa com a Teoria dos conjuntos, Deus seria o “Conjunto Universo” ou seja, absolutamente tudo está contido em Deus inclusive o Inferno na perspectiva da manifestação de sua ira e justiça. Porém Deus, não pode estar contido no Inferno.
    Além disso, dentro do Cristianismo, a ausência de Deus no inferno é vista como parte da justiça divina. Aqueles que escolhem se afastar de Deus durante suas vidas terrenas estão, em última análise, recebendo o que escolheram: separação eterna de Deus. Isso é frequentemente interpretado como uma consequência natural do livre arbítrio concedido por Deus aos seres humanos.Essa concepção do inferno como um lugar de separação de Deus também está ligada à ideia de que a presença de Deus é uma fonte de luz, amor e vida. Portanto, a ausência de Deus no inferno significa ausência dessas coisas, resultando em um estado de escuridão, desespero e sofrimento. Essa compreensão do inferno como separação de Deus é uma parte central da teologia cristã em muitas tradições e tem implicações significativas para a compreensão da salvação, da justiça divina e da natureza do amor e da graça de Deus.

23.10.23

QUANDO A MÚSICA É DO DIABO?



NÃO É O ESTILO OU O RÍTIMO, É A LETRA!

Cuidado com as músicas no mundo, e do mundo...

Diz o ditado "nem tudo que reluz é ouro".

Observe as letras e a origem... A intensão pode até ser boa mas o resultado poderá ser um desastre espiritual na sua vida!

Você pode está entoado uma música de Lúcifer, inspirada por ele. Lúcifer é músico e provavelmente compositor. Também chamado de Estrela da manhã, filha de Alva ou estrela D'alva.


O Profeta Isaías fala de Lucifer

11. Está derrubada até o Seol a tua pompa, o som dos teus alaúdes; os bichinhos debaixo de ti se estendem e os bichos te cobrem.
12. Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações!
(Isaías, 14)

Lúcifer (Wikpédia)
Estrela D'Alva (anjo caído, demônio)
Nota: Este artigo é sobre a figura mitológica e religiosa. 
"Lúcifer[a] é uma das várias figuras do folclore associadas ao planeta Vênus. O nome da entidade foi posteriormente absorvido pelo cristianismo como um nome para o diabo. A erudição moderna geralmente traduz o termo na passagem bíblica relevante onde o nome da figura grega antiga foi historicamente usado (Isaías 14:12) como "estrela da manhã" ou "uma brilhante" em vez de um nome próprio, Lúcifer.[1]".


Veja abaixo, está música de Noel Rosa, uma bela canção. Porém o Livro do Profeta Isaías tem mais de 3 mil anos.
De onde vem realmente a inspiração?

Pastorinhas
Noel Rosa
 *A estrela d'alva no céu desponta* 
E a lua anda tonta com tamanho esplendor 
E as pastorinhas pra consolo da lua 
Vão cantando na rua lindos versos de amor.

Cantar é Louvar, é glorifica e agradecer. E a Palavra fala que o que não for  ou que não vem de Deus pode vir da enganação do Diabo que quer ser adorado, é preciso ter discernimento. A Palavra fala também que o Demônio é enganador a tal ponto de conseguir enganar 1/3 dos ANJOS do céu.

Por isso tenha cuidado quanto a origem e letra das músicas. Você pode estar entoando uma canção do Capeta sem saber.

Lembre-se que toda inspiração vem do intangível, do imaterial, do sobrenatural, da alma e do Espirito.

Não é o estilo ou o ritmo da música, é a letra. Fique esperto. 


Pr. Carlos Altman

29.10.21

A PRÉ-REFORMA PROTESTANTE: QUE VENHA O JUÍZO!

 

A PRÉ-REFORMA PROTESTANTE

"QUE VENHA O JUIZO!"

 

No final da idade média, nos séculos XIV e XV, a organização religiosa ocidental Cristã Romana na qual os homens acreditavam ser o papado o centro da sociedade cristã na terra e que era essencial não somente para a vida religiosa mas também para sancionar o governo político, começa a desmoronar haja vista a credibilidade estar abalada profundamente.  A desmoralização da Igreja Ocidental Romana ou Igreja Católica Romana, atingiu o ápice no século XV em função de práticas e condutas condenáveis que já não podiam mais ser ignoradas passando portanto a serem questionadas em contextos éticos e morais como a imoralidade, adulteração da fé, corrupção do clero e descaso com os fiéis. Observa-se que o Cativeiro Babilônico em Avignon e o Grande Cisma do papado em 1378, uma tragicomédia de um Papa excomungando outro Papa seguiu revelando deficiências fundamentais que claramente apontavam para necessidades de reformas urgentemente profundas e já tardias. Ressalta-se que reformas básicas estavam em curso, mas, após o fracasso do movimento conciliar, nenhuma reforma significativa saiu da igreja de Roma, e a concepção de que o papado era o canal da vontade de Deus foi morrendo aos poucos. De fato, Desde o século XII vários movimentos contrários às atitude, condutas e preceitos gerais adotados pela Igreja Ocidental Romana surgiram com o intuito de uma reforma no culto, na comunhão, na ética e comportamento do clero e na extinção de excessos praticados e vividos de uma vida secular, mundana e até mesmo promíscua recheada de vaidades e a margem dos ensinamentos das Escrituras Sagradas.


Neste contexto, no final do século XIV, o Padre, teólogo e doutor John Wycliff (1328 a 1384 d.C.) formulou e divulgou uma série de críticas observadas e direcionadas às doutrinas da igreja ocidental romana na época e que iriam inspirar John (Jan) Huss (1369 a 1415 d.C.) aproximadamente cinquenta anos mais tarde seguido de Martinho Lutero pouco mais de um século depois. Dentre as críticas proferidas por Wycliff estavam a afirmação feita por ele e antecipadamente a Lutero de que a salvação era conseguida e justificada através e somente pela fé em Deus, afirmativa que destruiria qualquer barreira entre Deus e os fiéis. Bem como o posicionamento contrário à venda de indulgências bastante praticada na época. Se posicionando também firmemente contra a doutrina católica que afirmava que com a realização de “boas obras” (como doações à igreja) se poderia conseguir a salvação eterna. Escreveu “o Papa é o princípio da mentira. Cristo viveu na pobreza; o papa trabalha em troca de magnificência mundana. Cristo recusou o domínio temporal; o Papa procura”

            B. Shelley em seu livro História do Cristianismo – 2020, descreve “o reformador de Oxford desprezava a concepção de que todos os Bispos de Roma deveriam estar acima da cristandade só porque Pedro havia morrido em Roma... Somente Cristo, declarou Wycliff, é o cabeça da Igreja. A instituição Papal é cheia de veneno. O Papa é o próprio anticristo, o homem de pecado que se exalta acima de Deus. Então que venha o juízo!”

            Wycliff teria ainda mergulhado numa discussão perigosa argumentando que o governo inglês, dotado de responsabilidades divinamente atribuídas, deveria corrigir e até penalizar eventuais abusos praticados pela igreja romana nos domínios territoriais do reinado inglês, podendo depor eclesiásticos pecadores reincidentes e até mesmo podendo confiscar propriedades de oficiais corruptos da Igreja Católica Romana.

            Wycliff era um predestinacionista absoluto e acreditava na doutrina de uma igreja invisível de eleitos pois, defendia uma Igreja na terra contendo “apenas homens que serão salvos”. Ele acrescentava que nenhum homem tinha ciência se fazia parte da Igreja ou se era membro do Diabo. A Igreja idealizada por Wycliff desconheceria primados e hierarquias Papais, seitas de monges, frades e sacerdotes; acreditava ainda que a salvação do eleito não é condicionada por missas, indulgências, penitências ou outro qualquer artificio do sacerdócio. Wycliff conservou sua crença em purgatório e extrema-unção porém criticou fortemente os perdões, indulgencias, absolvições, adoração de imagens, adoração de santos e a distinção entre pecados mortais e veniais. Fez ponderações referentes as imagens aceitando-as em caso de aumento da devoção assim como a oração aos santos as quais julgava não serem necessariamente erradas. Exortou ainda que nenhum testemunho, mesmo sendo de santos, deveriam ser aceitos se não tivessem embasamento nas Escrituras e defendia que “ A Lei de Cristo” é melhor e suficiente e sendo assim, todo homem deveria ter acesso a Bíblia por si só.

            O movimento de Wycliff, restringido na Inglaterra por imposição da poderosa Igreja Católica Romana, continuou mesmo assim e expandiu-se na Boêmia, terra de Huss. Inglaterra e Boêmia foram ligadas mediante o casamento do Rei Ricardo II com Anne da Boêmia em 1383, um ano antes da morte de Wycliff em 1384. A expansão do movimento lançado por Wycliff na Boêmia se deu em função da adesão de um forte partido nacional liderado por John Huss, Reformador Tcheco nascido no sul da Boêmia, filho de camponeses, Bacharel em Teologia pela Universidade de Praga (1394) e Mestre em Teologia (1396), antes de começar a lecionar já acreditava nas causas da reforma influenciado pelos escritos filosóficos de Wycliff. Mas, os escritos teológicos de Wycliff  havia escrito, Huss só veio a conhecer após sua ordenação e nomeação como reitor e pregador na Capela de Belém, adotando de imediato a visão do reformador Inglês.

 

Viajem sem volta.
Huss se apresenta para dar explicação à seus inquisetores.

            Huss mandou pintar nas paredes da capela imagens contrastando a vida do Papa com a de Cristo. Os sermões inflamados de Huss na língua Boêmia encontrou grande apoio popular surgiram porém, manifestações diversas a favor e contra as ideias de Wycliff. Incomodada, a Igreja Romana o considerou herege que excomungou Huss e eclodiu um grande levante popular neste momento, Huss atacou abertamente a venda de indulgencias para financiamento da guerra contra Nápoles. Irado, o Papa mandou interditar as Igrejas de Praga e por isso Huss foi exilado no sul da Boêmia onde escreveu sua grande obra SOBRE A IGREJA baseado em Wycliff. Por conselho do Imperador Sigismundo, tendo em vista o Concilio de Constança que acontecia, Huss viajou para por-se à presença das autoridades reunidas para expor seus pontos de vista mas, foi vitimado pela inquisição sendo queimado na fogueira em 6 de julho de 1415.

Neste cenário obscuro em que se aproxima o final da Idade das Trevas, tempos difíceis mas que Deus jamais dormiu, não obstante diversos movimentos anteriores que objetivaram a reforma da Igreja Romana não terem obtido sucesso, surgem na Europa estes dois pré-reformadores John WYCLIFF (1328 a 1384 d.C.) e John HUSS (1369 a 1415 d.C.) que embora não tenham galgado êxito e terminarem por serem perseguidos de forma vil pela Igreja de Roma e seus asseclas; sendo calado, repudiado, boicotado no caso de Wicliff que, dispensado da universidade, foi deixado em paz no final da vida em sua paróquia em Lutterworth, onde morreu em 1384 aos 56 anos; ou martirizado como no caso de Huss que foi humilhado e queimado vivo como herege em 1415, os dois heróis deixaram como herança sementes valiosas plantadas no terreno da inconformidade com os rumos tomados pela Igreja Romana à luz das Escrituras Sagradas que germinaram, criaram raízes, cresceram e rederam frutos cujas novas sementes espalharam-se pela Europa Ocidental vindo a influenciar, de alguma forma, 102 anos mais tarde, já no século XVI, a atitude da afixação das noventa e cinco teses na porta da Igreja de Wittenberg na Alemanha por parte de Martinho Lutero culminando na Reforma Protestante seguido, tendo como consequências a ampliação da alfabetização para um número maior de pessoas, pois anteriormente apenas os membros do clero sabiam ler a bíblia e expressar a interpretação dos textos sagrados aos fiéis.

 


Segundo a tradição da Igreja Theca, Huss teria dito ao seu carrasco: “Hoje vocês assam um ganso, porém, daqui a cem anos, vocês verão nascer um cisne”, um trocadilho com seu sobrenome, que significa literalmente “ganso”. Cento e dois anos depois, em 1517, Martinho Lutero fixaria suas noventa e cinco teses na porta da igreja de Wittemberg! (Prof. Cláudio Correia dos Reis - FABAD).

 Para os três reformadores, Wycliff, Huss e Lutero, a Igreja deveria seguir os passos de Jesus Cristo, mantendo uma Igreja pobre, preocupada com a Evangelização e não com o acúmulo material e mantendo sempre os preceitos das Escrituras Sagradas acima da tradição.

E finalmente, salienta-se que nesse período importante, entre o fim da Idade Média e início da Idade Moderna, os desentendimentos religiosos tomaram forma de conflito social uma vez que o poder da Igreja constituía e misturava-se com o poder econômico. Uma Igreja aliada à aristocracia representante da classe dominante da sociedade na época.

Sendo a Igreja católica a maior latifundiária da Europa, bem como a posição social da aristocracia ser fundamentada por uma suposta vontade divina, as lutas dos camponeses e demais classes populares contra a exploração acabava atingindo os conceitos religiosos que justificavam ideologicamente a situação social. Esses conflitos levariam à diminuição da influência da Igreja Católica, com o início de um novo período histórico marcado pela força do capitalismo cujo modelo econômico teria embasamentos sociais influenciados, doutrinados e reeducados pelos ensinamentos do movimento Reformador ou Protestante. Mas, isso é uma outra história.

 Por Carlos E. Altman Ferreira - Out/2021.


 

 

           

A REFORMA DA REFORMA

  E assim nasce o Arminianismo. A história de um teólogo que, muito depois de sua morte, influenciou a maioria dos cristãos.           J aco...